Embarquei para São Paulo na segunda-feira pela tarde, sem poder falar muito – seguindo as recomendações do médico que havia avaliado a minha garganta um dia antes, e não gostou do que viu. Logo que cheguei em Congonhas, me encontrei com o pessoal da banda e fomos direto para o HSBC Brasil, onde passamos o som para a apresentação que faríamos no dia seguinte, na festa de premiação Profissionais do Ano.
O evento, na terça, foi bonito. Fizemos uma espécie de “recepção musical” para os convidados que iam chegando, antes do início da premiação. Um pouco diferente do que estamos habituados a fazer, mas igualmente prazeroso. O palco estava com o som redondo e nos divertimos tocando. Nos bastidores da festa conheci o pessoal da banda gaúcha Papas da Língua, que também se apresentou no evento. Acompanho a banda desde adolescente, quando ainda morava no Rio Grande do Sul, e é engraçado como o mundo dá suas voltas. Em 2001, antes mesmo de cogitar a possibilidade de seguir uma vida musical, trabalhei distribuindo folhetos de divulgação em um evento que tinha como atração o show do Papas da Língua e, hoje, o vocalista da banda elogia a música que faço.
No final da manhã de quarta-feira, seguimos para o Rio de Janeiro. Tirei o dia pra ficar descansando no hotel, concentrando para o show do dia seguinte, que seria especial.
Conheci o som do Jason Mraz há alguns vários anos. A primeira música que ouvi deve ter sido, provavelmente, You and I Both ou talvez The Remedy, mas logo comecei a pesquisar mais sobre ele. Nunca fiz aulas de canto, fui aprendendo com os cantores que ouvia, e ele foi um dos melhores professores que tive. Ele tem uma técnica vocal admirável, que continua sendo uma grande fonte de aprendizado para mim. Quando recebi a notícia de que abriria o show dele no Rio, fiquei duplamente feliz. Primeiro, pela oportunidade de mostrar minha música para um grande público, em um grande palco, com uma grande estrutura de som (realização de qualquer músico); e segundo, pela chance de subir no mesmo palco que um dos caras que me motivou a viver de música.
Foto: Gláucio Ayala
Diferente de outras vezes, não fiquei ansioso antes do show. Acho que estava muito feliz para isso. Sem falar que toda a banda estava muito segura, sabendo que só precisava subir no palco e fazer o que já sabe fazer: se divertir com a música.
Quando entramos no palco, pouco depois das 21h, o Vivo Rio já estava cheio. A recepção calorosa das pessoas nos motivou ainda mais, antes de começarmos a tocar. Me surpreendi com a quantidade de pessoas que estavam cantando as minhas músicas. Realmente não esperava que fosse ser tão positivo, e isso só ajudou. Foi uma grande conquista pessoal, e divido a alegria dela com todos que acreditam na minha música, e que sempre me apóiam. Vocês.
Depois da adrenalina do show e de encher o coração de alegria com a energia do público, ainda pude assistir o grande espetáculo da banda do Mraz. Ele transborda talento e energia no palco. E lá estava eu, mais uma vez, aprendendo um pouco com o mestre das palavras. Como se não bastasse, o saldo da noite terminou ainda mais positivo, quando recebi os cumprimentos do pessoal da banda e da equipe do Mraz, pela nossa apresentação.
Nada mal para quem tinha começado a semana fazendo uma visita ao médico e voltado para casa com uma lista de remédios e cuidados a serem tomados para não piorar a situação da garganta já bastante prejudicada por inflamação de procedência virótica.
E a vida segue.
Tiago